Em Agosto do ano passado numa das minhas caminhadas pela Serra Amarela tive o prazer de conhecer um pastor que me contou sobre a existência de "um magnifico e bonito Moinho de Rodízio" localizado em Germil bem na curva do Ribeiro de Portomalho que servia para a população moer o milho.
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| Local do Moinho ainda coberto por silvas e mato |
Depois do pastor me contar histórias bizarras sobre a utilização do moinho pelos habitantes de Germil, fiquei curioso com este facto e desloquei-me ao local para poder visualizar o moinho mas foi de todo impossível pois o moinho estava coberto com silvas e mato, o pastor já me tinha avisado " se o conseguir ver será uma sorte".
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| André Monteiro em trabalhos de limpeza |
Desde o dia que tive conhecimento da existência do moinho, sempre que passava por Germil na curva do Ribeiro de Portomalho dizia aos meus acompanhantes "ali existe um moinho de rodízio só é pena os habitantes não limparem o local pois dizem que o moinho é bonito"
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| Nuno e André na operação "Ressuscitar do Moinho de Portomalho" |
A limpeza do moinho já andava na minha mente há algum tempo e após a inauguração da sede Péd`Rios em Germil passei a acção e perguntei ao Sr. António Danaia, proprietário do café e do único estabelecimento em Germil, sobre o proprietário do moinho para possível limpeza e restauração. O Sr. António Danaia passou a informar que "são muitos os proprietários e que alguns estariam em França e que não seria fácil conseguir a autorização "
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| Limpeza em curso com aparecimento da entrada do moinho |
O Sr. António Danaia tinha razão quando disse que "não seria fácil conseguir a autorização " ainda bem que não disse "impossível" e com a ajuda do Sr. João Pereira e Sr. António Danaia, consegui saber o nome dos proprietários do moinho para poder falar com os mesmos sobre esta operação "Ressuscitar do Moinho de Portomalho"
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| Aparecimento da torre e telhado do moinho |
A "reunião" com os proprietários e alguns representantes do moinho foi a porta do café da aldeia. Ao todo e pelo que pude perceber o moinho tem no mínimo 5 proprietários onde a passagem para alcançar o moinho pertence a outro proprietário. Depois de meia hora de esclarecimentos e após expor o pretendido pela nossa associação sobre a
operação "Ressuscitar do Moinho de Portomalho", todos os presentes concordaram e autorizaram a limpeza do moinho oferecendo assim ajuda e materiais necessários para esta acção.
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| Limpeza da face norte do moinho |
De imediato e antes que os proprietários mudassem de ideia, contactei o André Monteiro (vice-presidente da associação Péd`Rios) e o Nuno (habitante de Germil) para iniciar os trabalhos da operação "Ressuscitar do Moinho de Portomalho".
Munidos de uma roçadora, duas sacholas, dois ancinhos, uma forca e um alicate de poda iniciamos os trabalhos de limpeza.
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| Ferramentas utilizadas para limpeza do moinho |
Depois de 5 horas de trabalhos o moinho "ressuscitou" toda a estrutura estava a descoberto. Notou-se alguma emoção da nossa equipa de limpeza, estávamos emocionados e satisfeitos com a nossa acção e como dizia o pastor "um magnifico e bonito Moinho de Rodízio" surgiu por entre a vegetação.
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| O caudal assim desviado segue por uma caleira (ou levada) |
Moinhos de Rodízio
O registo mais antigo que se conhece e que alude ao moinho de água de
roda horizontal, encontra-se num epigrama de Antipratos de Salónica, o qual se
presume date de 85 a.C.. Contudo, existem outros registos, nomeadamente
arqueológicos, os quais apontam para a existência deste sistema na Dinamarca no
século I a.C., e mencionado num poema na China do ano 31 da nossa era. Já relativamente
ao moinho de água de roda vertical, é pela primeira vez mencionado por Vitrúvio
numa obra datada de 25 a.C..
A roda horizontal à qual se chama rodízio, é
composta por um conjunto de palas dispostas radialmente, as quais recebem a
impulsão do jacto de água que nelas bate. A difusão deste tipo de engenhos
hidráulicos foi muito rápida por toda a Europa, devido à profusão e
características dos cursos de água aí existentes.
Na época medieval a sua posse
era essencialmente um privilégio dos senhores feudais, os quais cobravam
pesados impostos a quem os utilizasse. O aumento da cultura dos cereais por
parte de pequenas comunidades rurais, levou à crescente expansão principalmente
dos moinhos de roda horizontal ou rodízio.
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| Sistema de Moagem |
Em Portugal, a introdução dos moinhos de água
deve-se presumivelmente aos Romanos, sendo o moinho de rodízio aquele que mais
se difundiu, principalmente nas regiões do norte do país. A sua utilização
subsistiu até aos nossos dias e segundo o autor Jorge Dias, existiriam em Portugal
no ano de 1968, cerca de 10.000 moinhos ainda em actividade, dos quais
aproximadamente 7.000 seriam de água e destes 5.000 seriam de rodízio.
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| Sistema de moagem - Moega (gamelão), Quelha (telha), Tramela (cachorro) e mó. |
O edifício do moinho
construído em pedra, à semelhança da maior parte dos moinhos tem dois
compartimentos: o inferior onde trabalha o rodízio (compartimento esse conhecido por “inferno”) e o superior onde funciona o sistema de moagem
e onde o moleiro passava a maior parte do tempo, dispondo apenas de duas
aberturas: a porta de entrada virada a Nascente e uma janela voltada a Norte.
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| Entrada do moinho |
O trabalhos de recuperação ainda estão em curso, o rodízio do moinho infelizmente apodreceu mas já temos candidato para construção de um novo rodízio. Esperamos em breve poder ver a mó deste bonito moinho em acção de trituração do milho.
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| A merecida placa local informativa |
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| Carlos, Nuno e André depois da limpeza do moinho |
Gostaria de deixar um agradecimento a todos os proprietários e pessoas envolvidas nesta operação "Ressuscitar do Moinho de Portomalho".
Saudações Montanheiras
Carlos Moreira
Texto de Carlos Moreira
Fonte: Livro de minha autoria
“Moinhos e Moleiros de Cernache” editado em 2007 pela Câmara Municipal de
Coimbra.