sábado, 10 de março de 2012

Cabanas e Mina de Poulo - Germil


Hoje pela alvorada enquanto esperava pela carrinha do padeiro perto da curva do Ribeiro do Real, passou pela calçada a D. Maria de Fátima com as suas vacas raça barrosã e em conversa transmitiu que hoje ia levar as vacas a pastar nos campos de Poulo e até me convidou para ir com ela pastar as vacas e para me mostrar as cabanas e a mina lá existente. 

Campos de Poulo com as Penedinhas ao fundo
Vista de Germil de Cima 
Fiquei curioso pois não sabia da existência das cabanas e transmiti a D. Fátima que a acompanhava. Como não tinha a máquina fotográfica em meu poder fui numa pressinha a sede da associação na minha bicicleta buscar a máquina para poder registar o momento.

Campos do Poulo

Os campos de Poulo pertencem a vários proprietários de Germil e estão divididos por muros de pedra em forma de socalcos. A maior parte dos campos estão abandonados mas ainda existem pessoas que aproveitam os campos para o cultivo de feno para as cortes das vacas. 

Fidalga, Bonita e Linda devorando erva fresca  

Durante a minha aprendizagem como pastor de vacas fiquei a saber que as vacas barrosãs são na maior parte das vezes teimosas e algo curiosas e pude presenciar tal facto pois uma das vacas parecia uma gazela em busca da melhor erva tentando galgar os campos não autorizados como pasto (cultivo de feno). Uma das vacas até deitou uma vedação ao chão e galgou com toda a força pelos campos “proibidos”. 

D. Fátima a tentar manter a ordem
Foi de rir ver a D. Fátima a correr atrás da vaca e a gritar com ela dando-lhe o castigo merecido, uma vergada das fortes. Atrás da vaca teimosa seguiram-se as restantes todas eufóricas e a tentar fugir da D. Fátima mas em poucos minutos e com alguns gritos pelo meio as vacas se agruparam a pastar no devido lugar.  

A Bonita a planear a sua fuga 
A Pipoca sempre a alerta
A "Cabana" superior de Poulo 
A "Cabana" inferior de Poulo com o tecto abatido
As chamadas “cabanas” foram construídas há mais de um seculo pelas gentes de Germil e ainda são utilizadas para abrigar os agricultores ou pastores nos dias de chuva, principalmente em dias de tempestade com aguaceiros fortes. As cabanas foram construídas através de escavação manual e reforçadas com uma estrutura em pedra que as torna mais solidas e duráveis e algo especiais pois normalmente estes abrigos “cabanas” são simplesmente escavados na terra sem qualquer outra estrutura de suporte. 

Mina de Poulo 
A mina de Poulo também foi construída a mão pelos habitantes de Germil e serve ainda hoje para obter água para rega e também como fonte pois a água é leve e fresquinha. Em qualquer encosta de Germil encontram-se dezenas de minas como esta. Na altura em que foram construídas as minas, a população de Germil era basta e a água por vezes nem chegava para tantos campos cultivados. 

Germil de Baixo 

Campos de Poulo 
Campos de Poulo

A nossa associação elabora visitas guiadas ao local.

Saudações montanheiras
Carlos Moreira  

Texto e fotos de Carlos Moreira 









terça-feira, 6 de março de 2012

Filão de Quartzo em Germil


 Filões de Quartzo 
Nas fracturas podem circular soluções aquosas quentes (fluidos hidrotermais), de origem magmática ou outra, permitindo a precipitação de minerais que, assim, constituem os chamados filões hidrotermais. Estes são, em geral, consideravelmente mais longos que espessos (tipicamente, 100 a 1000 vezes).

A circulação de fluídos enriquecidos em sílica permite a formação de filões e filonetes de quartzo, de ocorrência frequente na área do PNPG, sobretudo no granito de Gerês. Eles encontram-se, por vezes, a preencher zonas de falha. O movimento ao longo da falha provoca esmagamento do material silicioso, dando-lhe, dessa forma, um aspecto de brecha. Ao quartzo associam-se, por vezes, óxidos de ferro ou sulfuretos disseminados.


Filão de Quartzo em Germil 
O quartzo é o segundo mineral mais abundante da Terra (aproximadamente 12% vol.), seguindo-se aos feldspatos. Possui estrutura cristalina trigonal composta por tetraedros de sílica (dióxido de silício, SiO2), pertencendo ao grupo dos tectossilicatos. O seu hábito cristalino é um prisma de seis lados que termina em pirâmides de seis lados, embora frequentemente distorcidas e ainda colunar, em agrupamentos paralelos, em formas maciças (compacta, fibrosa, granular, criptocristalina), maclas com diversos pseudomorfos. É classificado como tendo dureza 7 na Escala de Mohs. Apresenta as mais diversas cores (alocromático) conforme as variedades. Sem clivagem, apresentando fractura concoidal. O nome "quartzo" é de origem incerta, sendo a mais provável a palavra alemã "quarz", que por sua vez será de origem eslava.
Os mineiros que trabalham na extracção de quartzo podem sofrer de uma doença denominada silicose.
Filão de Quartzo em Germil
Aplicações e utilizações
Areia para moldes de fundição, fabricação de vidro, esmalte, saponáceos, dentífricos, abrasivos, lixas, fibras ópticas, refractários, cerâmica, produtos electrónicos, relógios, indústria de ornamentos; fabricação de instrumentos ópticos, de vasilhas químicas etc. É muito utilizado também na construção civil como agregado fino e na confecção de jóias baratas, em objectos ornamentais e enfeites, na confecção de cinzeiros, colares, pulseiras, pequenas esculturas etc.

Algumas estruturas de cristal de quartzo são piezoeléctricas e usadas como osciladores em aparelhos electrónicos tais como relógios e rádios.

Filão de Quartzo em Germil
A nossa associação elabora visitas guiadas ao local. 

Saudações Montanheiras 

Carlos Moreira 

Fotos de Carlos Moreira 
Textos Fonte -  ICNB / DCT Universidade do Minho / Wikipédia 




segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Péd´Rios no cume Chancal de La Ceja 2428m


Dia 25 de Fevereiro de 2012 pelas 14h00 Carlos Moreira leva a bandeira do Péd`Rios ao ponto mais elevado do distrito de Salamanca.


A Serra de Candelario / Bejár forma parte do círculo montanhoso de Castilla e Léon. Ocupa a vertente setentrional do Sistema Central pela rota Salmantino, fronteira da Extremadura. 


O pico mais alto é denominado como Chancal de La Ceja com 2428m de altitude sendo o ponto mais elevado de Salamanca. A serra de Candelario / Bejár é um espaço natural protegido declarado em conjunto com a Sierra de Francia, Reserva da Biosfera.


Desde a plataforma del Travieso localizada a 1900m de altitude iniciamos a nossa caminhada de 6 horas por um trilho bem marcado que nos levou ao planalto de Cuerda del Calvitero. 


Desde o planalto podemos visualizar as lagoas Del Trampal e Del Duque onde aproveitamos a paisagem para lanchar e relaxar. Chegamos ao cume por volta das 14h00 acompanhados de um dia recheado de sol e vento gelado e como é de praxe aproveitamos para tirar umas fotos de grupo com as bandeiras das duas associações.  


Esta actividade foi elaborada em conjunto com a associação Péd`Rios e do N Aventuras Clube de Montanhismo.

Saudações Montanheiras
Carlos Moreira 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Convívio de Carnaval 2012 - Germil

Na passada terça-feira a associação Péd`Rios organizou na sua sede "Convívio de Carnaval 2012" onde estiveram presentes habitantes da aldeia de Germil e da aldeia de Paradela. 

Local do convívio de Carnaval 2012
Como era de esperar no convívio tivemos a presença de aproximadamente 30 pessoas que tiveram a oportunidade de conviver, jogar e rir a gargalhada. 

Nuno e Patrícia como animadores apresentaram o primeiro jogo da tarde
O programa principal do convívio consistiu em animar a malta com jogos tradicionais. Escolhemos jogos de salão que se adaptaram perfeitamente ao tipo de participantes presentes. De entre todos os jogos os mais preferidos pelos participantes foi o jogo da Cabra Cega com Varinha e o jogo dos Contrários. 

Jogo "Passa a Palavra" 
Participantes felizes e contentes 
Joel explicando o jogo dos Contrários 
Jogo da Roda 
Assistentes atentas e felizes 
Sr. António Lobo habitante mais idoso de Germil 
Patrícia explicando o jogo "Estafeta com colher" 
Jogo "Estafeta com colher "
Jogo da Cabra Cega com Varinha 
O lanche merecido  
No final dos jogos fomos presenteados com um lanche oferecido pela Junta de Freguesia onde tivermos oportunidade de conviver e falar sobre futuras acções com a colaboração da associação Péd`Rios. 

Um forte abraço a todos os presentes e obrigado pela vossa simpatia e disponibilidade neste convívio. 

Saudações Montanheiras 

Carlos Moreira 

Fotos de Carlos, Joel e Nuno
Texto de Carlos Moreira 

























O ressuscitar do Moinho de Portomalho

Em Agosto do ano passado numa das minhas caminhadas pela Serra Amarela tive o prazer de conhecer um pastor que me contou sobre a existência de "um magnifico e bonito Moinho de Rodízio" localizado em Germil bem na curva do Ribeiro de Portomalho que servia para a população moer o milho.


Local do Moinho ainda coberto por silvas e mato 
Depois do pastor me contar histórias bizarras sobre a utilização do moinho pelos habitantes de Germil, fiquei curioso com este facto e desloquei-me ao local para poder visualizar o moinho mas foi de todo impossível  pois o moinho estava coberto com silvas e mato, o pastor já me tinha avisado " se o conseguir ver será uma sorte". 

André Monteiro em trabalhos de limpeza
Desde o dia que tive conhecimento da existência do moinho, sempre que passava por Germil na curva do Ribeiro de Portomalho dizia aos meus acompanhantes "ali existe um moinho de rodízio só é pena os habitantes não limparem o local pois dizem que o moinho é bonito" 

Nuno e André na operação "Ressuscitar do Moinho de Portomalho"

A limpeza do moinho já andava na minha mente há algum tempo e após a inauguração da sede Péd`Rios em Germil passei a acção e perguntei ao Sr. António Danaia, proprietário do café e do único estabelecimento em Germil,  sobre o proprietário do moinho para possível limpeza e restauração. O Sr. António Danaia passou a informar que "são muitos os proprietários e que alguns estariam em França e que não seria fácil conseguir a autorização " 


Limpeza em curso com aparecimento da entrada do moinho

O Sr. António Danaia tinha razão quando disse que "não seria fácil conseguir a autorização " ainda bem que não disse "impossível" e com a ajuda do Sr. João Pereira e Sr. António Danaia, consegui saber o nome dos proprietários do moinho para poder falar com os mesmos sobre esta operação "Ressuscitar do Moinho de Portomalho" 

Aparecimento da torre e telhado do moinho 
A "reunião" com os proprietários e alguns representantes do moinho foi a porta do café da aldeia. Ao todo e pelo que pude perceber o moinho tem no mínimo 5 proprietários onde a passagem para alcançar o moinho pertence a outro proprietário. Depois de meia hora de esclarecimentos e após expor o pretendido pela nossa associação sobre a  operação "Ressuscitar do Moinho de Portomalho", todos os presentes concordaram e autorizaram a limpeza do moinho oferecendo assim ajuda e materiais necessários para esta acção. 

Limpeza da face norte do moinho 

De imediato e antes que os proprietários mudassem de ideia, contactei o André Monteiro (vice-presidente da associação Péd`Rios) e o Nuno (habitante de Germil) para iniciar os trabalhos da operação "Ressuscitar do Moinho de Portomalho". 

Munidos de uma roçadora, duas sacholas, dois ancinhos, uma forca e um alicate de poda iniciamos os trabalhos de limpeza.  

Ferramentas utilizadas para limpeza do moinho 

Depois de 5 horas de trabalhos o moinho "ressuscitou" toda a estrutura estava a descoberto. Notou-se alguma emoção da nossa equipa de limpeza, estávamos emocionados e satisfeitos com a nossa acção e como dizia o pastor "um magnifico e bonito Moinho de Rodízio" surgiu por entre a vegetação. 


O caudal assim desviado segue por uma caleira (ou levada)  
Moinhos de Rodízio 

O registo mais antigo que se conhece e que alude ao moinho de água de roda horizontal, encontra-se num epigrama de Antipratos de Salónica, o qual se presume date de 85 a.C.. Contudo, existem outros registos, nomeadamente arqueológicos, os quais apontam para a existência deste sistema na Dinamarca no século I a.C., e mencionado num poema na China do ano 31 da nossa era. Já relativamente ao moinho de água de roda vertical, é pela primeira vez mencionado por Vitrúvio numa obra datada de 25 a.C.. 


A roda horizontal à qual se chama rodízio, é composta por um conjunto de palas dispostas radialmente, as quais recebem a impulsão do jacto de água que nelas bate. A difusão deste tipo de engenhos hidráulicos foi muito rápida por toda a Europa, devido à profusão e características dos cursos de água aí existentes. 


Na época medieval a sua posse era essencialmente um privilégio dos senhores feudais, os quais cobravam pesados impostos a quem os utilizasse. O aumento da cultura dos cereais por parte de pequenas comunidades rurais, levou à crescente expansão principalmente dos moinhos de roda horizontal ou rodízio.

Sistema de Moagem 

Em Portugal, a introdução dos moinhos de água deve-se presumivelmente aos Romanos, sendo o moinho de rodízio aquele que mais se difundiu, principalmente nas regiões do norte do país. A sua utilização subsistiu até aos nossos dias e segundo o autor Jorge Dias, existiriam em Portugal no ano de 1968, cerca de 10.000 moinhos ainda em actividade, dos quais aproximadamente 7.000 seriam de água e destes 5.000 seriam de rodízio.


Sistema de moagem - Moega (gamelão), Quelha (telha), Tramela (cachorro) e mó.   
O edifício do moinho construído em pedra, à semelhança da maior parte dos moinhos tem dois compartimentos: o inferior onde trabalha o rodízio (compartimento esse conhecido por “inferno”) e o superior onde funciona o sistema de moagem e onde o moleiro passava a maior parte do tempo, dispondo apenas de duas aberturas: a porta de entrada virada a Nascente e uma janela voltada a Norte.

Entrada do moinho 

O trabalhos de recuperação ainda estão em curso, o rodízio do moinho infelizmente apodreceu mas já temos candidato para construção de um novo rodízio. Esperamos em breve poder ver a mó deste bonito moinho em acção de trituração do milho. 

A merecida placa local informativa 
Carlos, Nuno e André depois da limpeza do moinho 
Gostaria de deixar um agradecimento a todos os proprietários e pessoas envolvidas nesta operação "Ressuscitar do Moinho de Portomalho".  

Saudações Montanheiras 

Carlos Moreira 

Texto de Carlos Moreira 
Fonte: Livro de minha autoria “Moinhos e Moleiros de Cernache” editado em 2007 pela Câmara Municipal de Coimbra. 







Placas Informativas - Ribeiros de Germil

No inicio do corrente mês, a associação Péd`Rios adquiriu algumas placas informativas para colocação na sua sede e surgiu a ideia de podermos elaborar mais algumas placas informativas para identificar os ribeiros que nascem a montante da aldeia de Germil, na Serra Amarela.

Carlos colocando uma placa no ribeiro de Chão da Ponte  
Depois de me certificar com os habitantes de Germil sobre o nome correcto dos ribeiros e depois das devidas autorizações para colocação das placas , pedi a colaboração do Nuno (habitante de Germil) para me dar uma ajuda nesta acção de colocação de placas informativas. 

Placa informativa no Ribeiro de Chão da Ponte 
Ribeiro de Chão da Ponte
Placa informativa no Ribeiro do Real
Ribeiro do Real 
Ribeiro de Portomalho 
Carlos e Nuno depois da colocação da placas informativas  
Com esta acção os visitantes de Germil têm agora a oportunidade de poderem saber os nomes dos 3 principais ribeiros que passam pela aldeia de Germil. 

Saudações montanheiras 

Carlos Moreira 
Fotos e texto de Carlos Moreira 



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Limpeza do Relógio de Sol de Germil


Limpeza do Relógio de Sol de Germil

Durante uma conversa com os habitantes de Germil, na Eira de Germil de Baixo, tive o prazer de conhecer a D. Maria da Assunção proprietária do espigueiro ou canastro onde esta colocado o “Relógio de Sol” de Germil.

Relógio de Sol de Germil antes da limpeza (foto, cortesia de Isabel Felgueiras)
Em conversa aproveitei para perguntar a D. Maria se seria possível efectuar uma limpeza ao relógio de sol pois o mesmo encontrava-se coberto de musgo seco. A D. Maria com a sua simpatia aprovou a limpeza do relógio de sol e até se disponibilizou a ajudar disponibilizando assim uma escada para podermos ter acesso ao relógio.


Nuno em processo de limpeza
Mais uma vez convidei o Nuno (habitante de Germil de Baixo ) que se disponibilizou a ajudar na limpeza deste bloco granítico. O bloco trabalhado à mão tem a imagem da cabeça de um homem. É desconhecido o escultor e data em que foi realizada a imagem.


Após a limpeza ao Relógio de Sol 
Munidos das ferramentas necessárias para este tipo de intervenção e acompanhados de uma brisa fresca da montanha, lá fizemos a limpeza do relógio que durou apenas 20 minutos. O resultado foi o esperado e agora já temos o “Relógio de Sol” de Germil asseado e sorridente.
Estado actual do Relógio de Sol de Germil 
Conforme transmitido pelos habitantes de Germil, o relógio servia para controlar o horário da partilha de água entre a aldeia de Germil e a aldeia de Sobredo. Todos os dias ao pôr-do-sol retiravam a tranca da levada para a água poder correr até a aldeia de Sobredo e as 11h00 do dia seguinte, controlando a hora através do relógio de sol, fechavam a tranca da levada para a água regar os campos de Germil de Baixo. E assim, este foi durante anos o processo de partilha de água com a utilização do “Relógio de Sol” de Germil.  

A nossa associação elabora visitas guiadas ao local.

Saudações montanheiras
Carlos Moreira
Fotos e texto de Carlos Moreira