terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Manutenção da rede de agua potável em Germil

Há mais de um século que os Germilenses se servem da agua potável oferecida pela serra Amarela, tanto para beber como para uso doméstico. As poças e levadas foram construídas para partilha da água em rega, as fontes naturais brotam água fresca para beber, mais tarde se construiu uma fonte no centro da aldeia onde os habitantes com o referido cântaro se abasteciam e abastecem de água. 


Em meados do século XIX foi construída uma rede de captação de água acima dos 900 metros de altitude em plena serra Amarela através de fontes naturais e minas onde a água foi canalizada para Germil por tubos negros enterrados nas entranhas da serra pela mão dos habitantes.


Com o passar dos tempos, com a curiosidade dos animais, com a corrosão e por vezes devido aos incêndios, os tubos negros não resistem e acabam por ceder. A água deixa de correr nas torneiras e alguém terá que tomar a iniciativa, de concertar os tubos negros. 

Com o passar do tempo os habitantes de Germil estão cansados e cada vez são menos. A idade avançada já não lhes permite subir uma montanha com ferramentas as costas. Os Jovens são poucos, e os que restam não se dão ao trabalho. Em Germil, o Sr. João Pereira da junta de freguesia, actualmente presidente da associação de moradores, esta sempre atento sendo ele requisitado para resolução de problemas desta natureza, na qual por vezes e sem obrigação resolve o dano vestindo assim a camisola por interesse de todos. 


Há quinze dias atrás tive a oportunidade de acompanhar o Sr. João Pereira e o Joel Pereira (o mais jovem habitante de Germil sempre pronto para esta tarefas) em mais uma "expedição" de manutenção da rede de água potável. A origem desta "expedição" causou alvoroço na aldeia. Durante um mês só caia pingas nas torneiras. Não havia pressão de água. Onde está o problema? Todos recorreram ao Sr. João Pereira na esperança que o problema fosse resolvido. 


Desta vez os tubos negros não davam de si. Normalmente quando uma fuga se dá o solo fica lamacento e o local é detectado onde através de sacholas e outras ferramentas se dá o arranjo e todos ficam felizes. Não aconteceu, lama nem ver-la e foram necessários longos dias para encontrar a fuga da rotura do pouco resistente tubo negro. Foram revistas caixas de distribuição em toda a aldeia, as torneiras das fontes, dos tanques e caminhadas através de linhas imaginarias do percurso dos tubos negros por entre campos agrícolas e pela serra amarela. Foi através da pressão da água que se detectou o longo local da fuga na qual foi necessário remexer muita terra e tapar muitos buracos até se deslindar o mistério. 



Mesmo assim com o assunto resolvido,  uma semana depois dos acontecimentos, o Sr. João Pereira e o Joel "escalaram" a montanha para dar uma vista de olhos as minas de captação aproveitando para tapar alguns "buracos" nas tampas de cimento e na substituição dos raros dos tubos negros escapatórios.       


É com grande orgulho e agradecimento que escrevo estas palavras ao Sr. João Pereira. Por toda a sua dedicação e trabalho em prol da aldeia de Germil e dos seus habitantes.

Agora a água corre por entre os tubos negros...

Obrigado 

Saudações montanheiras 
Carlos Moreira 

Fotos de Joel Pereira 
Texto de Carlos Moreira 

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