segunda-feira, 10 de junho de 2013

Lenda da criança e do Lobo em Germil

Reza a lenda que há muito tempo atrás (no tempo em que só os carros de bois circulavam pela aldeia) num final de tarde cinzento e invernal, uma criança estava sentada a janela da casa do seu avô quando de repente e através de uma fraca neblina avistou a sombra de um animal coberto de uma pelugem negra de olhos bem abertos e penetrantes. A criança na sua primeira visão não se importou muito com o animal que lentamente passeava pela rua central da aldeia. Para a criança o animal parecia-lhe um cão dos muitos que existiam na aldeia mas quando o animal se dirigiu e parou a espreita sobre o parapeito exterior da janela não queria acreditar e ficou imobilizada, paralisou com a imagem do vulto negro a sua frente. Em estado de petrificação nem um som omitiu pois de repente não lhe saíram as palavras por muito que tenta-se. Neste cenário a criança num curto espaço de tempo se lembrou das muitas historias que a gente da aldeia lhe contava acerca dos lobos dos possíveis castigos que poderia ser objecto no caso de se portar mal, pois sempre que a criança fazia uma asneira a gente do povo dizia "se te portares mal vou chamar o Lobo mau". O lobo com curiosidade continuava a contemplar a criança, não com um olhar de Lobo mau mas sim de ternura como se de uma cria de Lobo se trata-se. As lágrimas cobriam o rosto da criança e desesperado virou-se para o interior da casa e ao ver o seu avô que se encontrava a acender a lareira na cozinha tentou chamar-lo mas as palavras não lhe saiam. De repente todo agitado e por não conseguir alertar o seu avô, quando voltou o olhar para a janela o Lobo já não lá estava, caminhava novamente pela rua central da aldeia como nada se tivesse passado. A criança nesse dia não tinha feito alguma asneira e desde este encontro com o Lobo nunca mais falou.

Foto fonte: www.akam.no 

Texto adptação de Carlos Moreira